Lançamento do OIE no Brasil

O evento apresentou o site do OIE, voltado ao intercâmbio de informações sobre educação superior e equidade. É um dos resultados de várias etapas de pesquisas colaborativas que envolveram 16 universidades da América Latina e Europa.

O Observatório Transacional de Inclusão Social e Equidade no Ensino Superior (OIE) foi lançado no dia 28 de novembro na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). O OIE foi desenvolvido para ser uma ferramenta de produção e difusão de informações, monitoramento e promoção de intercâmbio entre instituições de ensino, pesquisadores, gestores, governos, atores da sociedade civil.

A cerimônia de lançamento contou com a presença de autoridades e pesquisadores que trabalham com inclusão e democratização do ensino superior. Participaram da mesa de abertura o coordenador geral da Unicamp, Alvaro Penteado Crósta; a assessora científica de Centros e Núcleos Interdisciplinares da Unicamp, Carolina Zuccolillo; e Maria Conceição da Costa, docente do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp e coordenadora técnica do Projeto Medidas para a Inclusão Social e Equidade em Instituições de Ensino Superior na América Latina (MISEAL). 

O evento contou também com a participação de pesquisadores e especialistas que promovem ações (como projetos, programas e políticas) relacionadas à inclusão no ensino, que compuseram a mesa de debate sobre os avanços e desafios relacionados ao tema.

Marcelo Knobel, docente do Departamento de Física da Unicamp e responsável pela implementação do Programa Interdisciplinar de Educação Superior (ProFIS) na Unicamp, falou sobre alguns resultados alcançados por este Programa. O ProFIS teve inicio em 2011 e destina-se a inclusão de alunos/as oriundos das escolas públicas do município de Campinas. O Programa oferece um curso de formação interdisciplinar de nível superior de dois anos de duração para 120 alunos, que são selecionados a partir de suas notas no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e não precisam passar pelo processo seletivo Vestibular. Após a conclusão deste curso, os/as alunos/as poderão escolher entre 61 cursos de graduação oferecidos na Unicamp, de acordo com seu desempenho e o número de vagas oferecido em cada curso. Segundo Knobel, o ProFIS busca não apenas ampliar o acesso, mas promover a inclusão de fato por meio da permanência (com apoio de bolsas, auxílios e outros suportes) e acompanhamento dos alunos.

O pesquisador do Grupo Estratégico de Análise da Educação Superior no Brasil (GEA) falou sobre o trabalho da entidade e as dificuldades relacionadas ao acompanhamento, direcionamento e avaliação das ações relacionadas à expansão e democratização da educação superior. Na sua avaliação, entre os desafios mais importantes para ações de democratização estão: a pouca articulação entre atores (gestores, pesquisadores, movimentos sociais, estudantes e redes públicas de educação básica); o acesso limitado a informações acadêmicas para avaliação das políticas; o pouco conhecimento dos estudantes de ensino médio e superior sobre significado das ações afirmativas; e a falta de conhecimento e de avaliação das políticas para acesso e permanência existentes.

Regina Facchini, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero (PAGU) da Unicamp e coordenadora do Observatório, falou sobre a importância do OIE como uma iniciativa transnacional baseada na interseccioanalidade, que permitiria entender os processos que geram desigualdades e atuar de forma mais efetiva na elaboração de políticas para inclusão nas universidades. Ela também apresentou o site do OIE e seus principais conteúdos e ferramentas. 

A coordenadora do MISEAL, Maria Conceição da Costa, pontuou ainda que um dos maiores desafios do MISEAL/OIE está sendo a construção de uma rede de especialistas nesta temática em âmbito internacional. Segundo ela, a relevância do OIE pode ser resumida em três elementos fundamentais: seu caráter transnacional; sua proposta inovadora de abordagem das desigualdades no ensino por meio da construção de um sistema de indicadores interseccionais.

A mesa também teve a participação da pesquisadora do PAGU, Karla Bessa, que ressaltou a necessidade de pesquisas e ações que incidam sobre as desigualdades de gênero, temática sobre a qual o Núcleo PAGU realiza pesquisas que são referência em âmbito latino-americano.

O evento de lançamento do OIE contou ainda com a intervenção artística do ator e jornalista Rodolfo Lima, apresentando uma parte de seu trabalho “Réquiem para um rapaz triste”. Este trabalho é composto a partir de uma personagem travesti - Alice - e aborda a subjetividade e profundidade dos processos de isolamento e exclusão.  O encerramento aconteceu com um coquetel oferecido no mesmo local, dando oportunidade para novas conversas e encontros.

 

 

Campinas OIE 2

 

 

Fuente: http://www.oie-miseal.ifch.unicamp.br/pt-br/lancamento-oie-brasil

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